segunda-feira, 14 de março de 2016

"O BALOIÇO VAZIO", DE CARLA LIMA

Simplesmente intenso do principio ao fim.
É como resumo numa só frase o livro "O Baloiço Vazio", da escritora açoriana Carla Lima, da editora Pastelaria Studios.

Pelo tamanho da obra, pelo curto número de páginas e pela fácil organização dos capítulos, ninguém imagina a intensidade das palavras que transporta, o poder que têm de mexer com a gente.

Maioritariamente de frases curtas e carregadinho de diálogos, este livro conta-nos pedaços da vida de Ana, histórias que, juntas, levam o leitor a conhecer pessoal e intimamente uma mulher que ama, que quer, que não desiste do amor da sua vida.

Ana é uma mulher madura, com uma vida igual a tantas outras, com episódios que a marcaram para sempre e que vivem intensamente no seu pensamento. Talvez um pouco neurótica ou descompensada, é uma mulher intensa, que precisa ser amada e que não se resigna a um amor que terminou.

Bruno é o seu amor. É um homem que cresce e decresce, que se esconde e se revela, que envolve um secretismo que pretendemos desvendar à medida que conhecemos a sua história com Ana.

A história está contada na primeira pessoa, pelas palavras da protagonista e não segue um rumo "normal", encadeando momentos de vida sem a tradicional ordem cronológica.

"O Baloiço Vazio" não é um livro fácil, apesar de se ler num ápice, porque nos desafia e nos exercita o pensamento, o raciocínio e a memória, para além de mexer com paradigmas e crenças que possamos ir formulando acerca das personagens.

A escrita de Carla Lima é direta e, até, um pouco agressiva, mas coesa e intensa, como pequenas agulhas cuja picada mal sentimos mas que não nos deixa desligar.
Com palavras e frases de vocabulário simples e fácil compreensão, nascem curtíssimo sub-capítulos de enredo desafiante, encadeados uns nos outros (muitas vezes) por uma simples ideia ou palavra, organizados em 12 capítulos "apresentados" por uma frase de outro autor.

Conheci a Carla Lima através do facebook deste seu primeiro livro, o qual me enviou com a simpatia e simplicidade com que se relaciona com as pessoas.
Já deve ter dado para perceber que gostei muito de o ler.
Gostei de tudo o que já referi e também de me sentir presa a ele.
Gostei também da escrita de Carla Lima que, sem palavras complicadas ou vocabulário erudito, consegue desafiar-nos e surpreender-nos.

Obrigada, querida Carla, por também te desafiares ao deitar para o papel um sem número de emoções e, quase aposto, pedacinhos de ti mesma.

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