terça-feira, 21 de março de 2017

EU E AS MINHAS TURMAS

Algumas vezes culpei a sorte. Noutras, o azar. Achei que era a minha sina ou que talvez Deus tivesse uma missão para mim. Ponderei serem energias conspirantes os desviantes...
A verdade, mesmo verdadinha, é que não é nada disto.
É mesmo assim... porque eu também sou assim e não sei ser de outro modo. (E acreditem que já tentei!)

Bem, mas parece que estou a começar a mensagem pelo fim!
Vou dar a volta à conversar...

Comecei a lecionar em 1999 e foi só em 2007 que me foi «entregue» a primeira turma a quem daria continuidade de trabalho por mais do que um ano letivo. Confesso que foi um momento marcante na minha carreira, pois sempre acreditei que uma das grandes vantagens de ser professora do (e no) 1.º ciclo é precisamente o poder acompanhar as bases das aprendizagens, vendo-os crescer em corpo, em mente e em sabedoria. Claro que quando trabalhamos apenas um ano com uma turma, após tantas horas e dias de convivência e de partilhas, acabamos por também os acompanhar bastante e criar laços que jamais esqueceremos, mas poder vê-los passar de somas simples a frações ou de pequenas palavras lidas a ótimos textos escritos é um privilégio que não tem comparação. 

Desde que tive o prazer de trabalhar durante 3 anos com a minha «Turma dos Golfinhos», que adorei (e adorarei sempre), já estou no terceiro grupo e as evidências começam a não poder ser ignoradas: há efetivamente características em comum entre todas as minhas turmas e tenho de aceitá-las como uma consequência real da minha forma de trabalhar com elas e daquilo que eu sou naquela que é a minha segunda família, dentro daquela que é a minha segunda casa.
Não vou fugir a este facto... não vou fazer dele um cavalo de batalha (como fiz algumas vezes)... nem vou fazer por ser diferente. Afinal, há duas características (ou qualidades?) em mim de que me orgulho e que entram como personagens importantes nesta história: a coerência e a autenticidade.

Porque sou coerente, não sou na escola aquilo que não sou fora dela... não exijo que façam aquilo que não me esforço por conseguir fazer, não atribuo culpas para me desculpabilizar, não digo e faço coisas diferentes, não peço aos pais que não sejam pais, nem às crianças que não sejam crianças... E penso sempre que sou exemplo para aqueles miúdos. E acredito que a coerência resolveria mais de metade dos problemas relacionais nas escolas (e não também no mundo?) e que todos somos mais seres humanos quando aquilo que dizemos está de acordo com o que fazemos e com que esperamos dos outros.
Se isto tem um lado mau? Tem. 
Se tem um lado bom? De certeza absoluta!

Porque sou autêntica, não consigo fingir que não adoro crianças. Não consigo fazer cara séria quando estou a ensinar os conteúdos de que mais gosto. Não consigo que os miúdos adorem um tema que me diz muito pouco. Assumo quando não sei algo... Peço ajuda se precisar. Dou mais gritos quando estou menos bem, cansada, zangada ou com algum problema, brinco muito mais quando consigo aceitar o dia a dia com otimismo ou quando estou feliz por algo que aconteceu, sorrio e dou gargalhadas se acordo bem-disposta ou começo logo a ralhar ao primeiro disparate se dormi com os pés de fora. Rio de uma anedota que tenha graça (mesmo que fora do contexto) e choro se a desilusão for grande, se um deles estiver a sofrer ou quando me emociono com os seus sucessos. Mostro os dentes e arregalo os olhos. Não sou igual a ninguém (nem quero ser) e não tento ser quem não sou.
Se isto tem um lado mau? Tem.
Se tem um lado bom? De certeza absoluta!

Todas as minhas turmas têm características semelhantes. Mesmo!
E eu sou mesmo «culpada»... para o bem e par o mal

Tenho tanto para contar sobre isto... Não faltarão posts!👸

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