domingo, 30 de abril de 2017

"AS FILHAS DA PRINCESA SULTANA", DE JEAN SASSON

Nunca fui muito curiosa em relação a livros com histórias sobre os países árabes, sobre a cultura do povo do médio oriente ou sobre a vida das mulheres muçulmanas, mas arrisquei a ler "As Filhas da Princesa Sultana", de Jean Sasson, sem saber que, logo nos primeiros capítulos, iria sentir vontade de ler o primeiro testemunho desta princesa saudita.
(Deveria tê-lo feito, deveria ter conhecido primeiro a vida de Sultana lendo o livro "Sultana, a Vida de uma Princesa Árabe", de 1992, onde a princesa conta a sua história de vida, desafiando os homens da sua cultura, o seu povo, revelando acontecimentos que repugna e contra os quais luta.)

Na verdade, todo o livro é um testemunho vivo do modo de estar e de pensar de um povo, das suas
experiências, das suas opções e atitudes tomadas e das consequências que delas advém.
Ao longo de mais de 250 páginas, Sultana "fala-nos" de diferentes fases da vida da casa real dos Al Saud, contando-nos histórias e revelando personalidades, sempre deixando no ar a sua luta pela dignificação e reconhecimento da mulher saudita e pela igualdade de direitos entre géneros.

Gostei de ler este livro, ao qual estive presa durante algumas semanas, lendo apenas algumas páginas de cada vez e em momentos de maior descontração. Não que estivesse escrito de forma complicada ou pouco apelativa, mas porque o seu conteúdo é um pouco "pesado" e algo penetrante, deixando-me a pensar e a querer saber mais cultural e historicamente.
(Não sou muito conhecedora de História, política e cultura dos países do médio oriente, pelo que senti necessidade de me informar, de perguntar, de aprender mais, para melhor compreender e contextualizar o que lia.)
O relato de Sultana está muito bem escrito e toca-nos, sem nos chocar, desperta todos os nossos sentidos e leva-nos até ao seio da sua família, aproximando-se dos seus membros.

Vou mesmo ter de ler o primeiro livro da trilogia, para depois ler o último ("Deserto Real: Lutas e Vitórias da Princesa Sultana", de 2000).

terça-feira, 18 de abril de 2017

COMER FAVAS E SUAS VAGENS...

Desde que adotei a alimentação paleo que ando sempre à procura de formas de aproveitar ao máximo os alimentos bons, rentabilizando-os em diferentes receitas.

No domingo, os meus filhotes vieram do Alentejo, onde estiveram a passar a Páscoa com o pai e os avós paternos, e trouxeram um saco de favas biológicas, que andaram a apanhar para mim, muito contentes porque sabem que adoro.
Ora, como sei que as favas são um dos alimentos da zona cinzenta na alimentação «paleo descomplicado», o que quer dizer que só devemos comer de vez em quando e na época delas, já as congelei para fazê-las guisadas com chouriço ou como acompanhamento. (Sim, porque o rapaz deu-se ao trabalho de as tirar das vagens só para me ver consumi-las!)

No entanto, há uns dias atrás tinha descoberto que há quem consuma também as vagens e fiquei muito curiosa em relação ao seu sabor, bem como ao valor nutricional e às suas utilizações.
E já experimentei!!!
Ontem, para acompanhar um belo bife de peru de cebolada, cozi grelhos, cenoura e as ditas casca e a verdade é que adorei o sabor. Achei parecido com o sabor do feijão verde, mas mais tenro e deleitoso, desfazendo-se agradavelmente na boca.



Bem... agora é descobrir receitas e experimentar.
Para as utilizarmos devemos retirar-lhes os fios laterais e as pontas, lavá-las bem e depois cortá-las. E ficam prontas a ser cozidas ou guisadas.
Já estou a preparar com elas um caldo de legumes para usar em guisados, estufados, sopas...
Já recolhi também a receita de esparregado com as vagens...

VALOR NUTRICIONAL E BENEFÍCIOS DAS CASCAS DE FAVAS

As cascas das favas, assim como as suas sementes, são alimentos ricos em proteínas, em hidratos de carbono, em ferro, em vitamina B e em fibras.
As fibras são essenciais para o bom funcionamento do tudo digestivo, melhorando a digestão, estimulando o desenvolvimento da flora intestinal e regularizando o trânsito intestinal.
As favas ajudam a controlar a pressão arterial e a estabilizar a frequência cardíaca.
Estas leguminosas têm poder antioxidante, retardando o envelhecimento das células e combatendo a ação dos radicais livres, ajudando também na saúde da nossa pele. 
Por ser rica em ferro, fortalece os músculos, agindo na sua progressão e potencializando a ação dos treinos musculares, contribuindo também para a saúde das articulações e, por ser rica em ferro, fortalece o sistema imunitário, prevenindo doenças como a anemia.
As favas têm poucas calorias, pelo que podem ser usadas em situações de perda de peso. Também ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue.
Além disso, graças ao ácido fólico da sua constituição, contribui para o aumento da produção das hormonas do humor e do bem-estar. 

AS FAVAS NA DIETA PALEO

Estudos revelam que os nutrientes presentes nas favas, já mencionados acima, não estão disponíveis para nós, uma vez que existem especificamente para alimentar a semente durante o período de germinação e estão protegidos por uma proteção chamada fitato (ou ácido fítico).
Assim, apesar de todos estes benefícios já referidos, a fava, como outras leguminosas, são alimentos a evitar, pois os anti-nutrientes (ácido fítico e lectina) presentes na sua constituição associam-se a alguns minerais e proteínas de outros alimentos formando complexos insolúveis no nosso organismo.
Uma forma de minimizar este problema é demolhá-las bem e depois deixar que cozinhem bastante.


Ainda tenho muito a aprender acerca deste e de outros alimentos, mas o meu caminho paleo começou há menos de 2 meses e ainda estou a construir a minha própria alimentação paleo.
Na verdade, é conhecendo os alimentos e «ouvindo» o nosso corpo que vamos achando a dieta ideal, pois todos os organismos são diferentes e reagem, naturalmente, de formas diversificadas.

Em mim, as leguminosas costumam provocar uma sensação de inchaço, como se estivesse muito cheia. Fico «enfartada» durante muito tempo, cheia de flatulência e com alguma obstipação.
Por isso, fico-me por comer favas muito de vez em quando, porque ADORO, e sempre as biológicas da horta dos avós dos miúdos, porque sei como são cultivadas e tratadas.

terça-feira, 11 de abril de 2017

SAUDADES DO MEU CABELO #01

Vai já fazer 3 anos que o meu cabelo começou a cair.
Na altura, não liguei muito. Caía mais do que era costume, mas estávamos no final da primavera e toda a gente dizia que era daquela altura do ano. Depois veio o outono. As folhas caem... Os cabelos (parece que) também.
Quase um ano passou. Certo que havia alturas em que caía mais e noutras menos, mas o que me fez ganhar vontade de mostrar a um especialista foi não estar a nascer e começar a dar comichão.
Além da queda de cabelo, naquela fase tinha também manchas no corpo, com pequeninas borbulhas... Parecia equizema ou alergia. Dava muita comichão. Mesmo assim fui adiando as idas ao médico...
Quando finalmente fui, o dermatologista disse que tinha a pele demasiado envelhecida, associou os dois problemas na pele e passou tratamento.
As manchas não passaram. A comichão acalmou. As peladas continuaram como pequeninos ringues de patinagem para piolhos infantis.
Outro dermatologista... noutro hospital... Finalmente um exame mais do que visual... "liquen plano" como diagnóstico. Novo tratamento.
As manchas no corpo desapareceram e a comichão no couro cabeludo passou.
Durante um tempo andei "tranquila", apesar de continuar com a tal normal queda de cabelo.
Passaram uns meses e a comichão voltou.
Nova consulta. Novo médico, porque entretanto a anterior deixou de trabalhar no hospital. Mais observações e um tratamento. Causa provável para grandes peladas à volta das orelhas e várias no resto da cabeça: lúpus.
Desapareceu a comichão, acalmou o desconforto e só o espelho me lembrava que algo não estava normal. (Sim, porque ao ralo completamente tapado em cada banho acabei por me habituar!)
Não fui fazer as análises que me foram passadas... não voltei lá a mostrar o resultado... desleixei-me, desliguei-me, acomodei-me... Acho que, na minha cabeça,  estava muito a ideia de ser uma herança do meu avô e agi sempre inconscientemente.
Mas chega! Tenho de voltar ao médico. Tenho de fazer alguma coisa para ter o meu cabelo de volta.
Tenho saudades de ter muito cabelo.



sábado, 8 de abril de 2017

"SEM SANGUE", DE ALESSANDRO BARICCO

Não tenho andado muito agarrada à leitura, mas tenho sentido vontade de ir às estantes e começar a ler os livros que lá guardo há muito tempo à espera da minha atenção.
Foi o que fiz com o livro "Sem sangue", do escritor italiano Alessandro Baricco, autor de "Seda", um best seller internacional.

Este é um livro intenso e penetrante, que nos agarra do início ao fim. São pouco mais de 150 páginas de cortar o fôlego, que se lêem sofregamente e que criam imagens reais e poderosas na nossa mente, apesar de, segundo o autor, esta ser uma história com personagens e factos fictícios.

"Sem sangue" está escrito em apenas dois capítulos, que correspondem a dois tempos e espaços
distintos em que se conta a história de vida das personagens, no centro das quais está Nina, uma criança/mulher corajosa e enigmática.

Nina é apenas uma pequena criança quando assiste à morte do seu pai, Manuel Roca, às mãos de um grupo de inimigos. É escondida dentro de um alçapão que vê esta morte acontecer, escapando, assim, ao mesmo destino que o irmão mais velho.
No entanto, antes de abandonar a sua casa após os assassinatos, um dos inimigos descobre o esconderijo de Nina. Condoendo-se do olhar terno e frágil da criança, o homem não a denuncia aos seus colegas, dando-lhe, assim, a hipótese de sobreviver.
Mais tarde, já mulher, Nina vai à procura desse homem e é no encontro dos dois que ficamos a saber de que forma o episódio marcou para sempre a vida de ambos.

Gostei muito da escrita de Alessandro Baricco, escritor italiano que não conhecia, mas em cuja bibliografia fiquei interessada.
Num estilo realista contemporâneo, o autor de "Sem Sangue" usa uma narrativa simples e direta, com muitos diálogos e poucas descrições espaciais. Apesar de quase não usar figuras de estilo nem vocabulário erudito, consegue narrar acontecimentos e sentimentos quase de um forma poética, que segue direta às nossas emoções, despertando-as e não nos deixando indiferentes.

A história deste livro é cativante e, de algum modo, impactante, mexendo com os nossos pensamentos e emoções.
Sem referências que nos permitam identificar o tempo e o espaço em que tudo acontece, várias imagens se apoderam da nossa mente durante a leitura, conduzindo-nos numa viagem pelos nossos conhecimentos em busca de correspondências históricas e geográficas.
As personagens principais, que identifico com sendo Nina e o homem que fingiu não a ter visto naquele alçapão, mostram um caráter forte e íntegro, que vamos conhecendo com o desenrolar da história.

domingo, 2 de abril de 2017

SOMOS O MAR...

Somos o mar...
Inquieto, rebelde, agitado
Dono de ondas que abraçam 
Que abocanham e apertam 
Que despertam
Acordando o mundo à sua volta
Com ira, fúria, revolta
Com paixão crua e pura
Incontrolável calor, ternura.

Somos o mar...
Que regressa, recua, se retrai
Arrastando em seus braços 
Sinais, momentos, pedaços 
Que interioriza e reflete 
Que o acalmam
Entrando num mundo tão seu
Onde ama e promete 
O sonho, a vida, o céu.

Somos o mar...
Que para, descansa, adormece 
Quando o tempo apacifica
Quando o amor acontece 
Que segreda, assobia, sussurra
Embalando em seu colo de paz
Outro mar que conhece
E que preenche, conforta, satisfaz.


sábado, 1 de abril de 2017

"O GATO DAS BOTAS" - O TIL NO "TEATRO ARMANDO CORTÊS"

Todos os anos, em março, as turmas de pré-escolar e 1.º ciclo do meu agrupamento vão ao teatro. É uma atividade que faz sempre parte do plano anual e que permite uma experiência única e inesquecível a todas as crianças.
Este ano não foi exceção e desta vez voltámos a escolher uma peça do TIL (Teatro Infantil de Lisboa), em cena no "Teatro Armando Cortês". Todos os anos a peça de destaque é diferente e atualmente está em palco "O Gato das Botas".

Gostei imenso da peça!
É divertida, movimentada, alegre... este ano até multircultural. 😉
Os cenários são magníficos e elaborados ao pormenor, sempre adequados às crianças, mas também com elementos que os adultos entendem melhor.
O texto também... Os miúdos entendem-no bem, quer nos diálogos, quer nas letras das canções, e os adultos são brindados com algumas "piadas" e "trocadilhos" que nos provocam risos e gargalhadas. Gosto bastante da dinâmica de emoções presente em toda a peça, jogando com momentos de brincadeira, de ternura, de maldade, de susto, de magia...
O guarda-roupa é uma coleção que nos deixa encantados. Os fatos e adereços são coloridos, criativos e diversificados, concretizando a nossa imaginação do mundo da fantasia. Apetece-me sempre pular para o palco e experimentá-los. (Curiosamente, o fato de que menos gostei foi o do gato.)
As canções e danças também são bastante apelativas e envolvem o público de forma entusiástica, algumas vezes convidando-o mesmo a participar. 
E é a qualidade da encenação e do trabalho dos atores que dá vida a tudo isto e que proporciona uma hora de magia para adultos e crianças.

Eu gostei muito e os meus alunos também, por isso recomendo a todos que aceitem a proposta e levem os filhos ao teatro.